14 de jan de 2015

doc: Promessas De Um Novo Mundo - entendendo a problemática israel-palestina nos olhares de crianças

Eu particularmente amo documentários. Eles são, na minha opinião, uma ótima fonte para se conhecer mais sobre um conflito, um problema, um país, uma cultura, um acontecimento, um povo, etc. Tudo isso mostrado a partir de seu lado real, com imagens reais. Para mim, um documentário é uma forma de viajar para qualquer lugar do mundo e conhecer situações e povos mesmo sentado na frente da televisão ou do computador. 

Esses dias assisti ao documentário Promessas De Um Novo Mundo lançado em 2001. O documentário mostra, na visão de crianças entre 10 e 13 anos, a vivência em meio ao conflito de Israel e Palestina na cidade de Jerusalém. 

Para quem não sabe, os judeus habitavam a região até a diáspora, que levou o povo judeu a diversos locais do mundo. Mais tarde a região foi povoada pelo povo árabe, em sua maioria os muçulmanos. Muito tempo depois, ao fim da Segunda Guerra Mundial foi decidido que o povo judeu, sofredor do Holocausto, deveria receber uma terra e a escolhida foi Israel, habitada até então pelos árabes. Como dá para perceber, é aí que o conflito se inicia: como colocar dois povos em um mesmo território que mal tem espaço para abrigá-los? A partir daí guerras aconteceram, como a famosa Guerra dos Seis Dias, por exemplo, caracterizando disputas territoriais entre os dois povos. Hoje praticamente só a Cisjordânia e a Faixa de Gaza integra o território do povo palestino (árabe), sendo que muitas dessas pessoas vivem em campos de refugiados. O resto do território corresponde ao Estado de Israel, residido pelo povo judeu. Jerusalém, cidade em que o documentário foi rodado, é uma cidade sagrada para ambas as religiões: islamismo, judaísmo e também o cristianismo. 

Esse é o meu conhecimento do assunto, mas sugiro que, se vocês querem ter uma maior ideia do conflito, pesquisem pois é bastante interessante. Bom, cada um, obviamente, tem sua opinião sobre o conflito, estando ou não inserido nele. Mas e as crianças que vivem em meio a ele? 



O documentário se passa um pouco antes de Intifada que seguiu os anos 2000, sendo assim, aquele era um período de "paz". Sete jovens são mostrados: os gêmeos judeus, um judeu bem ortodoxo filho de um norte-americano, um garoto e uma garota que vivem num campo de refugiados palestinos, um judeu radical e um muçulmano também radical. Cada um é incitado a expor sua opinião pelo co-diretor B.Z., que fala tanto árabe quanto hebraico. 

Acho incrível ver a diferença dos jovens dessa faixa etária comparado com outros países. Aqui no Brasil, por exemplo, poucos sabem explicar o que está acontecendo no cenário político, mas no documentário é possível ver que as crianças tiveram de amadurecer muito cedo tendo em vista o cenário conflitante que as cerca. Todos eles guardam ressentimentos, ódios, fortes opiniões e tristezas dentro de si. Alguns deles, os mais radicais, talvez, mostram até mesmo um sentimento de vingança e total aversão àqueles que fazem parte do povo "inimigo". 

O muçulmano do campo de refugiados teve que lidar com a morte de uma pessoa próxima, a muçulmana lidava com a prisão do pai enquanto o documentário era rodado. Ambos não tinham permissão para andar por Jerusalém ou conhecer regiões onde avós e bisavós uma vez habitaram antes de serem obrigadas a viver como refugiados.  Os gêmeos judeus parecem ser os que mais entendem o conflito e diziam que sentiam medo até mesmo ao entrar no ônibus devido a grupos extremistas que acabaram se originando. Os mais radicais relutaram até mesmo encontrar as outras crianças participantes das filmagens.  

Uma de minhas cenas favoritas foi quando os gêmeos judeus foram convencidos a ir até o campo de refugiados e conhecer melhor seus "inimigos" que viviam por lá. É incrível ver como todo aquele ódio sumiu, mesmo que só por um dia, e deu espaço à brincadeiras entre eles. É nesse momento que o documentário mostra uma faceta pura e inocente das crianças que muitas vezes não aparecia quando questionadas sobre a guerra. 

O documentário também explica levemente o conflito, intercalando os depoimentos com imagens dele. Seu desfecho mostra as crianças dois anos depois e é triste ver que algumas perderam a esperança sobre a paz na região, outras, como o muçulmano do campo de refugiados, mudou sua visão ao tentar mais contado com os gêmeos judeus. 

Depois de assistir ao documentário, encontrei um Epílogo que mostra essas crianças anos depois, já adolescentes. É interessante ver a mudança neles e sugiro que todos que assistiram ao documentário vejam. 





Alguém já assistiu ao documentário? O que achou?
Giovanna

Nenhum comentário:

Postar um comentário